O céu estava coberto de cinza . Uma frente fria fazia o vento balançar as árvores e levantar poeira do chão . Estava escurecendo, apesar de ser apenas dezesseis horas .
De repente viu-se um garoto de uns dezesseis anos , sacudindo-se todo . Andava cambaleando, dizendo coisas sem sentido . Era bonito . Louro , de olhos bem azuis e corpo musculoso. Vestia boas roupas .
Uma senhora o segurou pelo braço , temendo que fosse atropelado, tal o seu estado . Ele se desvencilhou da mão dela.
Foi então que algumas pessoas chamaram a polícia , que não demorou a chegar .
Os policiais o revistaram, mas nada encontraram a não ser um celular . Um policial dizia aos gritos : – Leva ele , leva !
O sono foi agitado . Revirava-se na cama naquele quarto bonito , com um armário abarrotado de roupas caras , todas “de marca ”. Havia computador , jogos , tudo . Tinha dezesseis anos e uma boa mesada nos finais de semana .
O que podia lhe faltar para que ele usasse drogas ? O pai estava ali . O pai o amava, embora freqüentemente estivesse com os amigos bebendo cerveja .
E agora ? O que poderia ser feito ?
O pai teria que conversar muito com ele . Não uma única vez , mas muitas. E como faria isso de modo a ser ouvido ? Teria que recriar laços esquecidos. Chamar o filho para sair com ele . Só com ele . Só os dois , como dois amigos . Ir à uma praia longe , só com ele . Lá , tomariam caldos nas ondas e iriam rir como nos velhos tempos . Depois , sentados na areia viria a conversa , os conselhos . Juntos , fariam planos para o futuro e nesses planos teria que haver limites , horários , perdas e ganhos .
Tenho certeza de que esse menino ainda tem jeito . Tenho certeza de que agindo assim , esse pai o reconquistaria para a família e para o mundo com mais consciência . Resta saber se esse pai estaria disposto a ser mais presente na vida da família .
E você , meu amigo ? O que acha disso tudo ? Você conhece meninos assim ?




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