Introdução

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De repente tive uma vontade incontrolável de escrever este livro.Era como uma força me empurrando, não me deixando desistir. São histórias atuais, engraçadas, algumas trágicas, muitas são verdadeiras, onde os nomes dos personagens foram trocados para preservar suas identidades. De início, meu objetivo era um livro para pais e filhos lerem na cama, na hora de dormir, transmitindo sempre um modo de vida inteligente, de paz e bons conselhos. Depois, percebi que as histórias também poderiam ser lidas por professores, em sala de aula, debatendo os temas, de modo a se aprofundar neles. Aliás, é imprescindível que ao final de cada leitura seja feita uma reflexão sobre o tema para que o livro seja melhor aproveitado. Espero conseguir tocar o coração de alguém e só por isso, já terá valido a pena.

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16:32

O álcool é a primeira droga




Danilo não queria ir, mas Rodrigo ficou insistindo:
, cara, vamos ! É legal, tem uma galera maneira!
Danilo balançava a cabeça para os lados, meio desconfiado:
– Pô, cara, sei não! Aquela turma é meio barra pesada, rola uns negócios ...
Rodrigo insiste mais:
Tu é muito vacilão! cheio de gatinhas... e tu fica na tua. Deixa a turma na deles...
Nesse ponto Danilo ficou com vergonha do amigo. Lembrava os conselhos do pai. Era ficar longe da turma...
– Tá legal! Tá legal! Eu vou.
Foram se arrumar. Marcaram às dez na esquina da rua onde ficava a balada.
Entraram juntos. Tinham ambos quinze anos.
dentro, o som forte demais não deixava ouvir o que falavam. E quem queria falar? Era emoção. A dança fervendo no sangue, a bateria tocando dentro do peito. Todos se balançavam e riam. Havia muita fumaça e um cheiro esquisito no ar. Naquele momento, Danilo dançava com uma gata de cabelos louros que iam até a cintura. Ele estava feliz e esquecido de todo o resto. Foi assim que Rodrigo passou por ele e lhe entregou um copo de vodka com gelo. Ele não queria tomar, mas a menina pegou de sua mão e bebeu um pouco. Num relâmpago, lembrou da conversa com o pai. Foi um relâmpago. Como o acender e apagar de uma luz. Olhou a menina, pegou o copo e bebeu o restante, pensando que seria aquele. Danilo riu mais, dançou mais e tomou coragem de beijar a garota... Por isso comprou mais bebida, pensando: “ mais uma.”
Foi uma ótima noite aquela e depois se seguiram outras e outras noites com mais bebidas. Cada vez mais. Ele pensava que podia parar, mas estava sentindo necessidade do álcool.
Foi assim que num sábado à noite, meio alcoolizados, ele e Rodrigo, que estava no mesmo esquema, se viram diante de um comprimido que era oferecido pelo Bira, um moleque meio miolo mole, conhecido nessas festas:
– Vai , vai logo!
Não, não... falou Danilo, sem convicção.
Tu é um vacilão mesmo! Parece uma moça...gritou Rodrigo.
Me dá essa porcaria aqui. Vou te mostrar que tu é vacilão, é medroso!e Rodrigo tomou a droga.
Metambém. E Danilo tomou, para mostrar que era homem.
Ali começava um pesadelo para aqueles dois meninos de classe média, estudantes, filhos de bons pais, cujo erro foi freqüentar um mal ambiente, ainda sem a idade em que o caráter e a responsabilidade andam de mãos dadas.
Meses mais tarde, na sala de estar de sua casa, Danilo uma notícia no jornal: “JOVEM BATE NA MÃE POR CAUSA DE DROGA.”
Nesse ponto, meu leitor está pensando: “–Ah! Eu jamais faria isso!” E eu lhe afirmo: afaste-se das drogas, do contrário elas farão com que você faça. Lembre-se: o álcool é a primeira drogapreciso que você tenha consciência de que maneira as outras drogas podem chegar na sua vida.
E Danilo, apavorado, o que diz a notícia:
Caramba! Meu Deus! É o Rodrigo! amassou o jornal, jogando-o no lixo.
Seu Antonio, pai do Danilo, procurou o jornal ao chegar do trabalho. Por acaso, aquela bola de papel na lixeira. Desamassa, com cuidado e pensa: “Ora, ora, por que será que jogaram fora o noticiário?” Ele se assusta ao ver a nota na primeira página falando do Rodrigo. Na mesma hora chama Danilo:
Filho, onde está você?
O garoto está no quarto, ressabiado. Seu Antonio aproxima-se devagar, passando a mão pelos cabelos.
Filho, você jogou o jornal no lixo por causa do Rodrigo?
– Foi, pai.
Os olhos do menino se enchem de lágrimas. Ele abraça o pai com força.
Meu filho – disse Seu Antonio – o que está acontecendo que eu não sei?
Oh, pai...Danilo não consegue encarar o pai.
Vocês estão usando drogas? Seja franco. É melhor para você! Preciso ajudá-lo! Você não vai sair dessa sozinho!
Danilo chora mais forte e balança a cabeça que sim. Seu Antonio chora junto com ele. A seguir, conversam muito e combinam procurar uma clínica especializada em tratamento de dependentes químicos no dia seguinte.
Com a ajuda da família, Danilo se tratou deixando para trás a bebida e as drogas. Além disso, mudaram para outro bairro a fim de afastá-lo dos amigos antigos.
Agora, livre daquele pesadelo, ele era um bom aluno e tinha sonhos. Queria se formar engenheiro naval.
Durante alguns anos Danilo não ouviu falar de Rodrigo.
Certa manhã, leu uma nova notícia no jornal: “ JOVEM FOI PRESO COM TRINTA COMPRIMIDOS DE ECSTAZY NO CARRO
Desta vez Danilo não chorou. Sentia-se um homem de verdade. Olhou para a foto no porta-retratos da sala e pensou, sorrindo: “Meu pai me salvou.”

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